Já temos um diagnóstico, e agora? A família diante do TDAH.

 

            Quando era professora tive um aluno de 16 anos que tinha dificuldade de concentração, era agitado, não conseguia realizar uma atividade até o fim, mas tinha ótimo rendimento em matemática. Ao final do bimestre, a quantidade de notas baixas levantou sinal de alerta: em nós, professores, nos pais e nele – o adolescente, diagnosticado com TDAH. Enquanto professora, saber daquele diagnóstico me organizava, a partir dali trabalharia considerando tal situação. Em contrapartida, isso pouco me direcionava ao que fazer e como fazer, ou seja, eu sabia o diagnóstico, tinha até indicações psicopedagógicas, mas não sabia como fazer tudo aquilo acontecer com qualidade e respeito.

            Assim, vejo muitos pais que afoitos correm por todos os lados em busca de um diagnóstico, são consultas a neurologista, neuropsicólogo, psicólogo, psiquiatra, psicopedagogo, uma rotina de reconsultas, exames, avaliações e testes. É um diagnóstico muito difícil que exige cuidado e acompanhamento especializado; até chegar o dia de receber o “veredicto”. Um instante de paz, por enfim descobrir o que tem. E muitos momentos de confusão, por não saber o que isso implicará, de que forma será e o que exigirá. Inicia-se um novo processo, tratamento farmacológico, especialidades entram no dia a dia, orientação aos professores, contatos frequentes com a equipe escolar. Diagnóstico feito, tratamento iniciado, e agora? Como fazer e o que fazer após tantas solicitações?           

            Hoje, como psicóloga, recebo na clínica pais que se sentem num beco sem saída, não sabem mais o que fazer com a agenda escolar do filho cheia de reclamações, a vida da família se resume a tentativas de mudar a situação e atacar o problema. Pós diagnóstico é comum os pais concentrarem esforços sobre o filho identificado. A questão é que o sintoma que a criança ou adolescente apresenta não é só dele, é da família. Todos daquele sistema precisam aprender algo. Os pais ou a família que se dispõe a buscar ajuda e orientação junto com o filho, podem contribuir muito mais do que aqueles que se concentram só no familiar com o problema. A terapia familiar ou de pais são formas que contribuem nestes casos para o desenvolvimento e aprendizagens da família. A ajuda psicológica pode proporcionar novos ângulos para lidar com tal situação, auxilia a família tomar consciência da forma que se relacionam e da forma que se organizam, ajuda o sistema realizar as aprendizagens necessárias e desejadas a partir do diagnóstico e indicações que tem em mãos, ajuda a família movimentar-se para uma forma mais funcional que permite enfrentar melhor as atuais circunstâncias.

            Diante de alguém que recebeu um diagnóstico de TDAH, independente da relação, professor ou pais, temos aprendizagens a fazer. A primeira delas, talvez seja, desconectar nossa visão do sintoma para de fato poder identificar o que é funcional e útil naquele momento todos aprenderem.

 

           

 

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