Deixando o ideal para viver o que é possível.

 

 

 

Passamos a vida tentando aprender a ganhar, e agora? O que fazemos quando precisamos aprender a perder? Perder sonhos, planejamentos, perder o ideal para ficar com o que é possível. O que fazemos quando nos deparamos com as mortes simbólicas e as mortes reais? 

 

Há muitos discursos: reinvente-se, crie na crise, descubra habilidades, inove, há alguns discursos, inclusive, de gratidão pelo que estamos passando. 

 

A questão: cada um vai passar por este momento de uma forma. 

O meu ponto de partida: independente da forma, inevitavelmente, iremos perder. Perder a convivência, o contato, o dinheiro, a viagem, o emprego, os sonhos, os planejamentos, o ideal, a rotina, a normalidade (por mais que se tente viver o mais próximo dela possível, as ruas não estão as mesmas, o comércio não está o mesmo, o ar não está o mesmo, o tempo não está o mesmo). 


 

Falar em perda sempre se fez necessário, desde que nascemos passamos por elas, talvez por isso nascemos chorando e não sorrindo. Leboyer nos conta em seu livro que “o inferno é o que a criança tem que passar para entrar no mundo”, sai do quente para o frio, do escuro para o claro, do corpo curvado para o corpo ereto, do molhado para o seco, da pele sensível e protegida para ser colocada entre os tecidos e as roupas.  Claro, nem tudo são perdas, por isso nos ocupamos em aprimorar a tarefa de ganhar. Ana Claudia Arantes nos questiona, em “A morte é um dia que vale a pena viver”, será que alguém se inscreveria num curso sobre: “Como perder melhor na vida?”, talvez não. Daniel Kahneman nos traz alguns estudos que comprovam como somos aversivos à perda, segundo ele reagimos com mais intensidade a perdas do que a ganhos. O que isso quer dizer? Que a dor da perda é sentida com muito mais intensidade do que o prazer do ganho. 

 

 

Então, como podemos, hoje, viver e conviver com o que é possível e não com o que é ideal? Como viver os lutos do que poderia ter sido e não foi?  Primeiro, aceitando estas perdas e acolhendo-as. Chorando as dores das mortes simbólicas que se fazem diárias, que por vezes, podem ser tão ou mais dolorosas que as mortes reais. Respeitando nosso processo de digestão, sabendo que não tem jeito certo para passar por um luto, não tem melhor nem pior, o que tem é escuta. Escuta do que precisamos para esse momento, escuta para não simplificarmos a complexidade do que é nosso ser, nosso estar e nosso sentir. Isto nos possibilitará enxergar se é de força que precisamos para mudar, de paciência para aceitar o que não pode ser mudado ou de consciência para saber definir entre uma coisa e outra. 

Nunca se fez tão necessário a compaixão e a autocompaixão pelos lutos, como se faz agora!

 

 

Referências:

Frédérick Leboyer, Nascer sorrindo. 

Ana Claudia Quintana Arantes, A morte é um dia que vale a pena viver. 

Daniel Kahneman, Rápido e devagar, duas formas de pensar. 

 

 

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